COLUNA RAUL LODY
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VIVA O MUSEU VIVO

Há um entendimento contemporâneo sobre o que é museu que traz muitas questões conceituais, ideológicas, culturais, ambientais, sociais, educacionais, econômicas, patrimoniais, entre outras, que localizam de maneira ampla e plural a identidade e a missão de um museu.

E com estes princípios formadores foram construídas as bases técnicas museológicas e museográficas do Museu da Gastronomia Baiana, enquanto um projeto pioneiro, e não apenas temático, mas pioneiro no entendimento de que era preciso um museu profundamente interativo com a comida e tudo aquilo que a comida pode representar dentro do processo histórico, ecológico, gastronómico, nos contextos da pluralidade etnocultural da Bahia.

E assim, dentro dos aspectos contextuais do próprio Largo do Pelourinho, no Complexo Sesc Senac Pelourinho, local em que se localizam os prédios que abrigam os espaços deste museu, uniram-se os aspectos da educação patrimonial, integrada à pedagogia da cultura alimentar da Bahia nos seus diferentes ambientes para formarem o circuito do museu.

Trazer tantas maneiras de difundir e de possibilitar experiências gastronômicas é fortalecer o entendimento vigente e contemporâneo sobre comida e cultura, neste campo da comunicação social que é o museu. Tudo isso acontece dentro das muitas linguagens e processos expográficos que trazem a diversidade, a dinâmica, o convívio entre as memórias e as muitas maneiras de interpretar e de viver o patrimônio alimentar da Bahia.

O pioneirismo do MGBA no Brasil, e na América Latina, surge a partir de uma das suas máximas: “Onde o visitante come o museu”. Isto confirma um entendimento sobre o museu que é vivo, e que uma das suas formas interativas é de levar à boca a Bahia pelas suas experiências alimentares.

E fundamentado nestes conceitos, busca-se realizar uma exposição comemorativa dos 20 anos do MGBA na sua galeria de exposições temporárias de art food, que é a Galeria Nelson Daiha.

Esta exposição temporária e de celebração, não é uma exposição descritiva sobre os espaços do museu, nem um relatório estatístico das atividades realizadas nesses 20 anos.

Ela vai muito além, e busca fortalecer e socializar os princípios conceituais, museológicos e museográficos, que fazem parte também dos princípios educacionais do Senac Bahia, que revelam o que há de mais contemporâneo em âmbito nacional e internacional sobre o entendimento do que é gastronomia patrimonial, nas suas características, e nos seus princípios sociais, econômicos e ecológicos, entre tantos outros.

RAUL LODY

O AUTOR Antropólogo, especialista em antropologia da alimentação, museólogo. Representou o Brasil no International Commission the Anthropology of Food. Autor de vasta obra publicada com centenas de artigos, filmes, vídeos, e mais de 70 livros nas áreas de arte popular e gastronomia/cultura/ patrimônio. Reconhecido por premiações mundiais e nacionais pelo Gourmand World Cookbook Awards. Curador da Fundação Gilberto Freyre, da Fundação Pierre Verger e do Museu da Gastronomia Baiana do Senac Bahia.