A água, elemento fundamental à vida, a fertilidade, unem-se principalmente ao sentimento de mãe, assim é Iemanjá, na sua mais geral compreensão afrodescendente, mãe do mundo, mãe dos homens.
É a mãe-peixe que nas terras Iorubá domina o rio Ogum, pois Olokum _ orixá dos oceanos domina todas as águas salgadas do mundo.
No Brasil, Iemanjá ganha um sentido ampliado para o mar; quando esse orixá identificado com um peixe, identifica-se também com a sereia: ser mitológico meio peixe, meio mulher.
A figura sensual da sereia une-se a imagem fértil da mãe, contudo prevalecendo a figura da mulher que amamenta, da mulher que tem muitos filhos, da mulher que é homenageada pelos pescadores, da mulher que domina o mar, as ondas, os peixes, a ampla e variada mitologia de seres fantásticos que nascem e vivem nos oceanos do mundo.
E para celebrar este mito/orixá as festas na Bahia, na cidade do São Salvador, no dia 2 de fevereiro, centenas de balaios com flores, perfumes, tecidos e tudo mais do gosto feminino tradicional. São milhares de pessoas que vão presentear Iemanjá na praia do Rio Vermelho.
Muitos balaios também portam comidas para Iemanjá, comidas de milho, dendê, peixes e outras ofertas que fazem os presentes.
Destaque para o ebô de Iemanjá; milho branco cozido e temperado com azeite de dendê, alguns ainda acrescentam camarões.
Ir ao encontro do mar em algumas festas e obrigações públicas para Iemanjá é o mesmo que buscar nas possibilidades relacionais com a água a experiência do mergulho, do ato de nadar, de viver o mar, os oceanos, seus mistérios, suas histórias milenares, tão antigas como as mitologias que justificam a criação do homem e do mundo.
Então se vive o mar, a água, o peixe, os oceanos nas suas fantásticas e míticas extensões, vive-se a sereia, vive-se a mãe de grandes e volumosos seios como diz a lenda, o itã Iorubá: dos grandes seios de iemanjá jorram dois rios de onde nascem os demais orixás, todos chegam das águas.
RAUL LODY.